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Domingo, Novembro 11, 2007
‘Ao som do mar e a luz do céu profundo’
Sempre gostei do Nelson Motta. Assim, de modo gratuito, sem mais nem menos. Ele aparecia na TV, falava, falava, falava e eu achava estranho e ao mesmo tempo bonito aquele sotaque carioca.
Simpático e bem falante; sempre com uma opinião formada para tudo, gostava de vê-lo e ouvi-lo na TV, principalmente quando participava do Programa Manhattan Connection, do canal a cabo GNT, logo no início.
Baseado nesse apreço e simpatia gratuitos e, confesso, foi só, comprei o livro, homônimo ao título deste, após ler o primeiro capítulo (isca) em uma página da Internet.
Recém havia iniciado a leitura e chamou minha atenção uma frase que ele usou, em uma entrevista, num programa de TV, a respeito do livro, dizendo que ele ‘ia enrolando, enrolando o leitor’.
Não gostei daquilo! Sei muito bem que ele estava fazendo isso mesmo, tal qual fazem outros escritores de ficção, mas, hipocritamente, não gostei de ouvi-lo dizer aquilo e, talvez, por isso mesmo, perdi o que tinha de melhor no ‘durante’ da minha leitura, que era o elemento surpresa do texto como criação literária, de ficção, mas com alguma verossimilhança e agrado e não enfado, o que terminou por ser, pois ele realmente ‘enrola’ e ‘enrola’ e, de repente, sem mais nem menos, encerra a história bruscamente e pontua a frase título, vindo do nada, como um letreiro que despencasse de um prédio em cima dos transeuntes lá embaixo, no caso, de nós, leitores.
Esperava mais e nem estou cobrando o erro histórico da idade da criação ‘da’ lança-perfume chegar a setenta anos nos anos cinqüenta e sim, mais conteúdo.
Quem leu ‘Quase Tudo’, de Danuza Leão e este, sabe ao que me refiro.
O livro de Danuza você encerra com um ‘gostinho de quero mais’ positivo e não com um dissabor de ‘faltou muito’.
Por fim, acredito que o próprio autor tenha percebido os erros e problemas de sua obra e vá, numa próxima, se especializar mais em desenvolver de modo mais dinâmico e com conteúdo ou, ao menos, na arte de ‘enrolar’ sem deixar o leitor perceber, ou, sem avisá-lo de antemão que é o que está fazendo e mal.
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(08.06.2007)
postado por DAUBI PICCOLI
4:51 PM

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